A Estimulação Cognitiva em Idosos

O aumento da expectativa de vida associado aos avanços na área da saúde e a busca por agregar qualidade de vida aos anos vividos são alguns dos motivos que levaram ao aumento exponencial do número de pesquisas envolvendo a estimulação cognitiva em idosos nos últimos 30 anos. As pesquisas são bastante diversas tanto em relação ao modo como foram realizadas quanto à população estudada (idosos saudáveis, com algum comprometimento em funções cognitivas, ou idosos com alguma demência).

A estimulação cognitiva pode ser entendida como atividades que buscam estimular as funções cognitivas superiores como memória, velocidade de processamento, linguagem, função executiva, dentre outras. O objetivo é amenizar ou mesmo sanar as possíveis dificuldades em uma ou mais dessas funções.

Existem diversos programas em nosso país que promovem a estimulação cognitiva em idosos. A “Universidade Aberta a Terceira Idade” na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo e o “Centro de Estimulação Cognitiva e Funcional” (que acontece no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) são apenas dois exemplos, sendo o primeiro para idosos saudáveis, e o segundo para idosos com algum comprometimento da memória.

A importância da estimulação vem sendo demonstrada em diversos estudos como o realizado por Hall e colegas (2009). Neste estudo os autores demonstraram que participar de atividades de estimulação pode atrasar o inicio acelerado da perda de memória em 0.18 anos, ou seja, idosos que recebem estimulação demoram mais para começarem a sofrer prejuízos na memória ou em outras funções cognitivas superiores quando comparados a idosos que não recebem nenhuma estimulação.

Outras pesquisas como Machado et al (2009) e Brum et al (2009) evidenciam a importância da associação do tratamento farmacológico (medicamentos) ao tratamento não-farmacológico (estimulação cognitiva e funcional, dentre outros tipos de terapias como a realizada por fonoaudiólogos e arteterapeutas) como forma de maximizar os benefícios da terapêutica.

Estes são apenas alguns dos estudos que vem mostrando os benefícios da estimulação cognitiva e sua importância para melhorar a qualidade de vida do idoso. No segundo semestre de 2011 estaremos oferecendo cursos com ênfase na Doença de Alzheimer, se você que esta lendo esta matéria se interessa pelo assunto procure um especialista na área ou nosso curso e saiba mais.

Sinopse preparada por: Paula Schimidt Brum

Fonte: Hall CB, Lipton RB, Sliwinski M, Katz MJ, Derby CA, Verghese J. Cognitive activities delay onset of memory decline in persons who develop dementia. In: Neurology 73 August 4, 2009.

Brum PS, Forlenza OV, Yassuda MS. Cognitive training in older adults with Mild Cognitive Impairment: Impact on cognitive and functional performance. In: Dementia & Neuropsychologia. June 3 (2), 2009.

Machado F, Nunes PV, Viola LF, Santos FS, Forlenza OV, Yassuda MS. Quality of life and Alzheimers disease: influence of participation at a rehabilitation Center. In: Dementia & Neuropsychologia. September 3(3), 2009.