Pesquisadores da Dinamarca investigaram se a utilização do Lítio para o tratamento de pacientes com Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), está associada à diminuição de demência subsequente.
Para isto, foram avaliados, no período de 1995 a 2005, pacientes diagnosticados com TAB, com idade acima de 40 anos e que apresentaram quadro demencial subsequente. Um total de 4.856 pacientes foram avaliados. Deste montante, 2.449 (50,4%) pacientes foram expostos ao Lítio, 1.781 (37,6%) a anticonvulsivantes, 4.280 (88,1%) a antidepressivos e 3.901 (80,3%) a antipsicóticos.
Destes, 216 pessoas receberam o diagnóstico de demência durante o acompanhamento (103,6/10.000 pessoas por ano). Para pacientes que fizeram uso de Lítio, o índice de demência diminuiu e se igualou ao da população geral. Já para os pacientes que se tratavam com anticonvulsivantes, houve um aumento da taxa de demência. Pacientes com uso de antidepressivos e antipsicóticos não tiveram alterações nas taxas de demências.
A prevalência de demência nos pacientes com TAB neste estudo foi de 71,4/10.000 pessoas por ano, algo bem diferente da prevalência dos pacientes que usaram Lítio (62,5/10.000 pessoas por ano).
Apesar dos resultados, os anticonvulsivantes foram associados a neuroproteção pela inibição da GSK-3 (glicogénio sintase quinase-3) assim como o Lítio. Resultados demonstraram que o Lítio aumentou a substância cinzenta e os níveis de N-acetil aspartato apenas depois de 4 semanas de tratamento.
Desta forma, conclui-se que o tratamento contínuo com Lítio diminui os índices de demência em pacientes com TAB, diferentemente dos pacientes tratados com anticonvulsivantes, antidepresivos e antipsicóticos.
Sinopse preparada por: Sivan Mauer
Fonte: Kessing LV et at. Does Lithium Protect Against Dementia? Bipolar Disorder 2010 : 12: 87-94.