Responsável: André Luiz Andrade Abrahão
Supervisão: Wagner Farid Gattaz
A esquizofrenia apresenta fatores de risco infecciosos têm sido levantados, tanto pré-natais quanto pós-natais. Este trabalho testa a hipótese de que uma infecção pós-natal de meningite nos primeiros quatro anos de vida aumenta o risco para a doença. Comparamos a morbidade psiquiátrica entre adultos que tiveram meningite na infância e um grupo controle formado por irmãos destes probando, portanto com condições ambientais e genéticas semelhantes. Foram feitos testes neuropsicológicos, avaliadas complicações obstétricas, os soft signs e os diagnósticos psiquiátricos pelo Check-list do CID 10. Foi achado nos adultos com meningite na infância um aumento de 4,5 vezes no risco para esquizofrenia e 3,6 vezes no risco para a ocorrência de sintomas psicóticos em geral. Não encontramos diferenças na prevalência dos demais quadros psiquiátricos entre os dois grupos. São discutidas possíveis implicações de nossos achados no neurodesenvolvimento e possíveis mecanismos patogênicos como danos na membrana neuronal por ativação de enzimas, alteração na morte celular programada, na sinaptogênese e na eliminação sináptica em conseqüência do processo infeccioso. Nossos achados sugerem que a infecção meníngea poderia ser um dos fatores ambientais que interagindo com a vulnerabilidade individual, facilitaria o aparecimento de esquizofrenia e outros quadros psicóticos durante a vida.