O teste da Niacina, a atividade da fosfolipase A2 e os níveis de prostaglandina E2 na esquizofrenia e nos transtornos do humor

Responsável: Hildeberto Tavares Jr.
Supervisão: Wagner Farid Gattaz
Alterações no metabolismo de fosfolipídios têm sido estudadas na esquizofrenia. Um aumento da atividade da PLA2 sérica e plaquetária foi demonstrado em diversos estudos. A niacina em contato com a pele provoca hiperemia por causar liberação de prostaglandinas de macrófagos. Alguns autores encontraram ausência de resposta cutânea à niacina mais freqüente na esquizofrenia (83%) em comparação a controles (23%). Neste estudo, a resposta cutânea a niacina, a atividade da PLA2 em soro e em plaquetas e os níveis de PGE2 no soro foram avaliados em 61 pacientes com esquizofrenia, 60 pacientes com transtorno do humor (40 com transtorno bipolar e 20 com depressão) e 62 controles sadios. Quarenta e cinco dos pacientes com esquizofrenia da amostra foram reavaliados após 8 semanas de tratamento com antipsicóticos de nova geração. O teste da niacina não diferenciou o grupo esquizofrenia (26,2% ausência de resposta) dos demais (9,7% em controles e 13,3% em transtornos do humor; p=0,034). A atividade da PLA2 no soro foi maior na esquizofrenia (312 ± 117) em comparação com transtorno bipolar (277 ± 77), com depressão (276 ± 105) e com controles (239 ± 75) (p= 0,002). A atividade da PLA2 plaquetária também foi maior na esquizofrenia. Não houve diferenças significativas das médias de PGE2 entre os grupos. O teste da niacina também não foi capaz de separar um subgrupo de pacientes com alteração do metabolismo de fosfolipídeos, uma vez que não houve qualquer associação entre a ausência de resposta à niacina e a PLA2 ou PGE2. A ausência de resposta à niacina esteve associada aos sintomas negativos da esquizofrenia (p=0,039). Após o tratamento, houve redução na atividade da PLA2 (301 ± 105 antes e 233 ± 49 depois; p<0.01), mas não houve variação significativa da resposta à niacina.