Efeito da adição de estrógeno conjugado em pacientes esquizofrênicos em tratamento com haloperidol: estudo duplo-cego

Responsável: Ana Paula de Oliveira Marques
Supervisão: Wagner Farid Gattaz
O presente estudo investigou o impacto clínico da utilização de estrógeno conjugado como terapia coadjuvante ao haloperidol no tratamento de pacientes esquizofrênicos. O potencial efeito antipsicótico dos estrógenos, conseqüência de sua complexa ação sobre o sistema dopaminérgico, foi sugerido a partir da constatação das marcantes diferenças de apresentação clínica da esquizofrenia entre os gêneros, com nítido benefício das mulheres. O estudo teve desenho duplo-cego. Selecionamos mulheres, com diagnóstico de esquizofrenia e em período de exacerbação clínica aguda, com idades variando entre 18 e 50 anos. As pacientes foram alocadas a dois grupos de tratamento, recebendo haloperidol em dose fixa (5mg/dia) associado à estrógenos conjugados (Premarin®, 0,625 mg/dia), ou placebo. Foram acompanhadas em regime hospitalar por período de 31 dias, sendo submetidas periodicamente a instrumentos padronizados de avaliação (BPRS, NSRS, UKU e ES) e controle das concentrações hormonais (estradiol, estrona, progesterona, FSH, LH e prolactina). Ambos os grupos apresentaram melhora significativa no decorrer do estudo. Os resultados não demonstraram diferenças significativas na evolução dos sintomas psicóticos ou na expressão de sintomas colaterais entre os grupos, que e mostraram comparáveis quanto às suas características sócio-demográficas, histórico psiquiátrico e ginecológico. As diferenças também não surgiram levando-se em conta apenas um subgrupo representado por pacientes com mais de 40 anos de idade. Os estrógenos conjugados provocaram elevação conclusiva nos níveis de estrona nas pacientes, não havendo efeito sobre o estradiol ou a prolactina. A diferença de ação biológica entre as frações estrogênicas pode explicar a ausência de impacto clínico obtida, limitando-se as conclusões do estudo à estrona. Também não foi verificada, em contraposição a alguns trabalhos na literatura, correlação direta e negativa entre sintomas psicóticos e níveis de estradiol, nem excesso de casos de agudização clínica em correspondência à fase de baixa produção hormonal do ciclo menstrual, o período perimenstrual.