Investigação do metabolismo de fosfolipídios e fosfatos de alta energia no lobo frontal esquerdo de pacientes esquizofrênicos através da espectroscopia por ressonância magnética de fósforo-31

Responsável: Juliana Yacubian
Supervisão: Wagner Farid Gattaz
Estudo usando Espectroscopia por Ressonância Magnética de Fósforo-31 (ERM-31P) mostraram anormalidades no metabolismo do lobo frontal em esquizofrenia. Os resultados mais descritos foram de uma redução dos fosfomonoésteres (PME) e/ou aumento dos fosfodiésteres (PDE), que são, respectivamente, os precursores e os metabólitos dos fosfolipídios de membrana, sugerindo uma aceleração no metabolismo de fosfolipídios nesse transtorno. Alguns estudos mostraram aumento dos fosfatos de alta energia (ATP - adenosina trifosfato e PCr - fosfocreatina) em esquizofrenia, refletindo um uso diminuído de energia no lobo frontal. Foram estudados 53 pacientes esquizofrênicos (DSM-IV) e 35 controles saudáveis. Dezoito desses pacientes nunca tinham utilizado antipsicóticos, e os outros 35 estavam sem antipsicóticos por 6 meses em média. O metabolismo de fosfolipídios e fosfatos de alta energia foram avaliados no lobo frontal esquerdo usando ERM-31P. A avaliação neuropsicológica foi realizada através do Wiscosin Card Sorting Test, teste de Stroop, e escala de inteligência de Wechsler. Pacientes que nunca utilizaram antipsicóticos mostraram PDE reduzido em lobo frontal esquerdo comparado a controles e a pacientes previamente medicados (p<0.05). Nenhuma diferença foi encontrada entre os 3 grupos em relação aos outros parâmetros da espectroscopia. Em controles saudáveis, mas não em pacientes, uma correlação negativa (e provavelmente fisiológica) foi verificada entre PME e PDE (p<0.01). Em pacientes esquizofrênicos o ATP se correlacionou com sintomas negativos e com prejuízo do desempenho neurológico (p<0.01). A falta de uma correlação entre PME e PDE, como também redução de PDE nos pacientes sugerem uma alteração no metabolismo de fosfolipídios na esquizofrenia, embora o PDE reduzido seja um achado contrário ao da literatura. As relações de ATP com sintomas negativos e ao défict neuropsicológico sugerem uma alteração da demanda enérgica no lobo frontal de pacientes esquizofrênicos, corroborando com a hipótese de hipofrontalidade.