Estudos genômicos em Taenia solium: buscando candidatos vacinais e um diagnóstico mais preciso da neurocisticercose por técnicas de genética molecular

Responsável: Carolina Rodrigues de Almeida (Projeto de mestrado)
Supervisão: Emmanuel Dias Neto
Apoio: ABADHS (Associação Beneficente Alzira Denise Hertzog da Silva) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)

A Taenia solium é um parasita causador de duas enfermidades principais que atingem o homem, a teníase e a cisticercose. A teníase é caracterizada pela presença do verme adulto (Taenia solium ou Taenia saginata) no intestino delgado do homem, enquanto que a cisticercose é causada exclusivamente pela larva de Taenia solium. Estima-se que cerca de 4 milhões de pessoas no mundo alberguem a forma adulta do parasita e que aproximadamente 50 milhões de pessoas sejam portadoras de cisticercos. A implantação dos cisticercos no cérebro leva ao desenvolvimento da neurocisticercose, uma doença relativamente comum que mata mais de 50.000 pessoas por ano. Devido ao aumento considerável no fluxo de migração, imigração e turismo tal doença vem atingindo as mais diversas regiões do planeta, deixando suas fronteiras anteriormente restritas a países de terceiro mundo. No Brasil, há uma incidência considerável de pacientes com neurocisticercose e os gastos anuais do sistema de saúde brasileiro, decorrentes do atendimento médico-hospitalar a pacientes que apresentam neurocisticercose, chegam à cerca de 85 milhões de dólares. No sul do Brasil, provavelmente devido à importância da suinocultura nesta região, os problemas causados pela T. solium são ainda maiores. Estudos sobre a prevalência da doença, realizados através de tomografia computadorizada (TC) em diferentes regiões do Estado de Santa Catarina, revelaram uma prevalência global de 1,2% dentre mais de 143.000 TC realizadas. Há uma clara distinção na prevalência da doença entre as regiões estudadas. No Planalto Catarinense, próximo à cidade de Lajes, cerca de 30% dos habitantes apresentaram achados de TC compatíveis com a presença de neurocisticercose. Este nível de contaminação demonstra a seriedade do problema em alguns municípios brasileiros.
Atualmente a comprovação da doença é feita pela somatória de diferentes abordagens diagnósticas (Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética ou testes sorológicos), que nem sempre são eficientes, impedem que a maioria da população afetada tenha acesso a um diagnóstico preciso e correto. Um dos maiores problemas atuais desta doença se refere a um diagnóstico mais preciso, mais barato e mais específico. Neste projeto pretendemos desenvolver o primeiro teste molecular, baseado na detecção de DNA circulante do parasita, para detecção de T. solium. Devido ao escasso conhecimento genômico de T. solium, iremos gerar algumas seqüências de DNA, visando detectar DNA altamente repetitivo no genoma desta espécie. As seqüências repetitivas serão usadas como alvo para ensaios de amplificação de DNA por PCR em amostras biológicas de interesse.
No processo de geração de seqüências, além de usarmos DNA genômico como molde, também utilizaremos mRNA do parasita. Este material será utilizado na geração de mini-bibliotecas de cDNA do tipo ORESTES (Open Reading frame ESTs), técnica desenvolvida por nosso grupo, que permite ter acesso à região codificadora dos genes ativos. Além de gerarmos seqüências potencialmente repetitivas, com potencial diagnóstico, já geramos as primeiras ESTs disponíveis para este parasita. A descoberta de proteínas do parasita permitirá aumentar o conhecimento de alvos para quimioterapia e imunoterapia. Desta maneira, também estaremos contribuindo para outros pontos de extrema importância em relação a esta parasitose, a imuno e a quimio-proteção.