Biomarcadores na Doença de Alzheimer

A prevenção efetiva da Doença de Alzheimer requer a detecção de fatores de risco da doença com alta sensibilidade e especificidade na fase pré-clinica, ou seja, antes do desenvolvimento dos danos neuronais e consequentemente dos sintomas.  As placas senis, formadas pela deposição do peptídeo beta amilóide (Aβ) e os emaranhados neurofibrilares, causados pela hiperfosforilação da proteína Tau, são as principais características fisiopatológicas da doença de Alzheimer. A procura por proteínas que reflitam in vivo os processos que levam a formação desses achados histopatológicos é imprescindível para o diagnóstico precoce desta doença, bem como o diagnóstico diferencial entre outras demências. Além disso, é fundamental que essas proteínas biomarcadoras, possam ser medidas em fluidos biológicos como sangue, urina e líquor.
Marcadores como o Beta Amilóide (Ab42), Proteína tau (T-tau) e Proteína tau fosforilada (P-tau), podem ser quantificados em líquor com precisão por metodologias confiáveis como a citometria de fluxo, porém essas proteínas ainda não são suficientes para diferenciar as diversas demências. Estudar as vias de sinalização desses biomarcadores pode permitir o acesso a outros marcadores biológicos. A glicogênio sintase-quinase (GSK), por exemplo, uma das maiores tau quinases, e  a fosfolipase A2 (PLA2), principal enzima responsável pelo metabolismo de fosfolípides de membrana, são  enzimas  presentes em vários sistemas biológicos e com importante papel na plasticidade, estrutura e sobrevivência neuronal .
A utilização de proteomica nos permite estudar a estrutura e a função de proteínas candidatas a biomarcadores, através de técnica avançadas, como a eletroforese bidimensional associadas à cromatografia líquida e espectrometria de massa (LC MS/MS). Todavia, além desta fase, é necessária a posterior validação destas proteínas em fluidos biológicos, através de metodologias mais práticas e acessíveis. O plasma, apesar da facilidade de acesso, é a matriz mais complexa, requerendo diversas etapas de purificação, o que além de acarretar perdas, principalmente de proteínas pequenas, dificulta a comparação entre os diferentes grupos.  As plaquetas são nossos principais alvos, visto que apresentam alterações comprovadas de outras proteínas importantes na doença de Alzheimer, como a Proteína precursora do amilóide (APP) e a PLA2.  De acordo com estas observações, as plaquetas podem ser consideradas as células ideais para se estudar mecanismos metabólicos espelhando, num compartimento periférico, a evolução de processos bioquímicos que ocorrem no sistema nervoso central.

Comentário feito por:  Leda Leme Talib
Fonte:  Ravid R. Biobanks for biomarkers in neurological disorders: the Da vinci bridge for optimal clinico-pathological connection. J Neurol Sci. 2009 Aug;15; 286(1-2): 119-26
Fonte:  Hampel H, Bürger K, Teipel SJ, Bokde AL, Zetterberg H, Blennow K. Core candidate neurochemical and imaging biomarkers of Alzheimer’s disease. Alzheimers Dement. 2008 Jan; 4(1):38-48