Estudo farmacogenômico do ganho de peso em pacientes tratados com antipsicóticos de segunda geração

Responsável: Andréa Laurato Sertié
Alunos participantes: May Ângela Suzuki (Mestrado)
Apoio financeiro: FAPESP Modalidade Jovem Pesquisador
Resumo: Os antipsicóticos de segunda geração (ASG) vêm sendo amplamente utilizados no tratamento de doenças psiquiátricas comuns, como a esquizofrenia e o transtorno bipolar. Contudo, uma parcela significativa dos pacientes tratados com certos ASG ganha peso e desenvolve anormalidades metabólicas, condições que diminuem muito a qualidade e expectativa de vida dos pacientes, e constituem as principais razões para o abandono do tratamento. Estudos recentes sugerem que esses efeitos metabólicos estão relacionados aos mecanismos de ação dos ASG tanto sobre sistemas de neurotransmissão central como sobre tecidos periféricos que controlam o peso corporal, como o tecido adiposo. Contudo, os mecanismos moleculares associados aos distúrbios metabólicos são, em sua maioria, desconhecidos, não existindo ainda fatores preditivos desses efeitos adversos nos indivíduos suscetíveis. O presente projeto de pesquisa pretende explorar a ação dos ASG clozapina e olanzapina, associados com os riscos mais altos de ganho de peso e anormalidades metabólicas, sobre o tecido adiposo in vitro, e identificar fatores genéticos associados a esses efeitos adversos nos pacientes predispostos. Assim sendo, será investigado se: 1) células-tronco extraídas do tecido adiposo subcutâneo de pacientes com esquizofrenia que ganharam peso significativo durante o tratamento com clozapina ou olanzapina (ganho >10% do índice de massa corporal) sofrem maior diferenciação adipogênica quando estimuladas com esses ASG do que células-tronco provenientes de pacientes com esquizofrenia que não ganharam peso significativo com o uso das mesmas drogas; 2) adipócitos maduros do primeiro grupo de pacientes acumulam mais lipídios que adipócitos do segundo grupo de pacientes quando tratados com clozapina ou olanzapina; 3) a metodologia de microarrays de expressão é adequada para identificar genes diferencialmente expressos entre as células provenientes dos pacientes dos dois grupos (quando essas células são tratadas com esses ASG), genes estes que podem ser considerados candidatos ao ganho de peso e/ou desenvolvimento das anormalidades metabólicas induzidas por ASG, como também por outros psicofármacos associados a esses efeitos adversos (como muitos antidepressivos); 4) analisar polimorfismos nesses genes candidatos em um número maior de pacientes com esquizofrenia pertencentes aos dois grupos para verificar se existe associação entre determinados alelos e o aumento significativo de peso. A identificação desses marcadores moleculares pode contribuir para detectar indivíduos com alto risco de desenvolvimento desses efeitos adversos, esclarecer sua patogênese, e adotar medidas para sua prevenção e tratamento.