Responsáveis: Wagner F. Gattaz, Nádia R. Barbosa Raposo
Aluno participante: Eliza Hiromi Ikenaga
Resumo: O transtorno afetivo bipolar (TAB) está entre os principais transtornos psiquiátricos e se caracteriza pela presença de episódios alternados de humor (mania/hipomania e depressão), os quais variam em intensidade, duração e freqüência. Embora se tenha o conhecimento dos mecanismos intracelulares dos principais fármacos, através dos estudos farmacológicos para o tratamento do TAB, ainda está para ser definido como estes fármacos podem interferir na fisiopatologia do TAB e estabilizar o curso e a progressão da doença. No entanto, um conjunto de evidências aponta claramente para inibição das vias intracelulares de transdução de sinais, sugerindo que a hiperatividade das vias moduladas pelas fosfolipases estaria envolvida no mecanismo fisiopatológico que levaria ao TAB. Estes dados estão em consonância com outros relatos da literatura que demonstram uma maior atividade das fosfolipases A2 (PLA2) em quadros psiquiátricos como transtornos afetivos (Hibbeln, 1989) e esquizofrenia (Gattaz et al., 1987, 1990, 1995b). O modelo teórico de hiperatividade das fosfolipases no transtorno do humor fornece explicações plausíveis para a questão da bipolaridade, haja vista, que a maior ativação dessas enzimas conduziria ao incremento da liberação de ácidos graxos precursores das prostaglandinas, superativando os processos de transdução de sinais num estado que, posteriormente, poderia resultar em importante perda das reservas destes ácidos graxos bioativos. Neste ponto, o mecanismo de transdução de sinais seria prejudicado pela impossibilidade de liberação de níveis adequados destes mediadores intracelulares. Portanto, este projeto tem como objetivo avaliar a atividade de subtipos de PLA2 (iPLA2, cPLA2 e sPLA2) com auxílio do método radioenzimático, em plaquetas de portadores de transtorno afetivo bipolar (TAB) e compará-la com a de indivíduos sadios, buscando eventuais correlações com variáveis clínicas e biológicas.