Ainda sabemos pouco sobre os fatores associados com o desenvolvimento do comprometimento cognitivo leve (CCL) em idosos, sendo um desafio pesquisar sobre o assunto. Tão importante quanto desenvolver novos tratamentos farmacológicos e não farmacológicos para prevenir ou retardar o aparecimento da demência, é essencial identificar os indivíduos que ainda não apresentam declínio cognitivo, mas que possuem alto risco para seu desenvolvimento.
O estudo de Boyle e seus colaboradores amplia o trabalho sobre o declínio cognitivo e a síndrome da fragilidade em idosos e sugere que as medidas de fragilidade física podem ajudar a identificar as pessoas susceptíveis a desenvolver disfunção cognitiva e aquelas que são mais propensas a se beneficiar de intervenções para manter a função cognitiva. Nesse estudo, os autores observaram que 305 (40%) dos 761 idosos avaliados desenvolveram CCL no período de 12 anos de acompanhamento. Um maior nível de fragilidade física foi associado a um declínio cognitivo global e em cinco componentes cognitivos específicos (memória episódica, memória semântica, memória de trabalho, velocidade perceptual e habilidade visuoespacial). Foram avaliados quatro componentes de fragilidade física nesses idosos (força de preensão palmar, velocidade da marcha, composição corporal e fadiga). Desses componentes, a força de preensão palmar e a velocidade da marcha foram mais fortemente associadas ao CCL. O que está de acordo com estudos publicados nos últimos anos, que sugerem que as mudanças na marcha e na força de preensão palmar podem preceder o diagnóstico do declínio cognitivo. A deficiência cortical do controle da marcha e certos déficits motores são um dos primeiros achados clínicos precoces da Doença de Alzheimer e outras demências. Nesse sentido, a avaliação das alterações na marcha pode ser útil na prevenção de quedas, na avaliação do declínio funcional, na detecção precoce em declínios cognitivos em estágio inicial e na síndrome da fragilidade no idoso.
A constatação de que a fragilidade física está associada ao declínio cognitivo tem importantes implicações na saúde pública. Políticas públicas e pesquisas sobre o envelhecimento são cada vez mais centradas no desenvolvimento de estratégias para manter a saúde cognitiva e funcional em idosos objetivando um envelhecimento independente, autônomo e com qualidade.
Sinopse preparada por: Sheila de Melo Borges
Fonte: Boyle PA, Buchman AS, Wilson RS, Leurgans SE, Bennett DA. Physical frailty is associated with incident mild cognitive impairment in community-based older persons. J Am Geriatr Soc; 58:248–255, 2010.
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