Esquizofrenia e gravidez: a administração de antipsicóticos faz a diferença?

Atualmente, a utilização de antipsicóticos por mulheres portadoras de esquizofrenia que estejam grávidas tem sido objeto de diversos estudos. Estes avaliam potenciais efeitos adversos destes fármacos para o bebê e os riscos da suspensão da farmacoterapia para a mãe. Lin e colaboradores (2010) investigaram 696 mães com esquizofrenia e 3480 controles pareados (5 mães controle para cada mãe com esquizofrenia).Depois de ajustadas as características da mãe e do pai (idade, nível de escolaridade, estado civil e rendimento familiar mensal) e dos bebês (gênero e tipo de parto), regressões logísticas multivariadas foram realizadas para se estimar a razão de chance (OR) de baixo peso ao nascer, tempo de gestação, e tamanho do bebê pelo tempo de gestação, comparando os resultados das mães com esquizofrenia e mães do grupo controle. As mães com esquizofrenia foram subdividas em três categorias: a) mães que receberam antipsicóticos de 1ª geração durante a gravidez, b) mães que receberam antipsicóticos de 2ª geração durante a gravidez e c) mães que não receberam antipsicóticos durante a gravidez. Foi observado que as mães controle apresentaram menores razões de chance de baixo peso (OR = 0,72, IC95% = 0,50 – 0,88) e tamanho (OR = 0,81, IC95% = 0,64 – 0,92) ao nascer quando comparadas com as mães com esquizofrenia que não receberam tratamento durante a gravidez. No entanto, mães com esquizofrenia que receberam antipsicóticos de 1ª geração durante a gravidez tiveram uma maior razão de chance (OR = 2,64, IC95% = 1,50 – 4,11) de apresentarem menor tempo de gestação quando comparadas com aquelas com esquizofrenia e que não receberam antipsicóticos. As demais comparações não apresentaram diferenças significativas. Dessa forma, os dados sugerem que o tratamento com antipsicóticos não aumenta os riscos envolvidos na gravidez. No entanto, estudos que avaliem mais características maternas e dados de prescrição devem ser conduzidos com o objetivo de se complementar as informações obtidas e tornar o acompanhamento pré-natal ainda mais seguro para este grupo de pacientes.

Sinopse preparada por: Aline Siqueira Ferreira
Fonte: Lin H, Chen I, Chen Y, Lee H, Wu F. Maternal schizophrenia and pregnancy outcome: Does the use of antipsychotics make a difference? Schizophrenia Research. 2010. Jan 116: 55-60.