A enzima glicogênio sintase quinase-3β (GSK-3β) é uma proteína envolvida na fosforilação de vários fatores de trasncrição e substratos responsáveis por diversas funções celulares. Evidências diretas e indiretas apontam para o envolvimento dessa enzima na fisiopatologia dos transtornos de humor e, possivelmente, da esquizofrenia. No que se refere ao transtorno afetivo bipolar, diversos estudos in vitro e in vivo mostraram que o lítio - uma medicação estabilizadora do humor - inibe a atividade da GSK-3β, implicando essa enzima na fisiopatologia desse transtorno, e em um alvo em potencial da ação dos estabilizadores de humor.
Com o objetivo de verificar o efeito do tratamento sobre a GSK-3β, pesquisadores da Universidade de Illinois determinaram a expressão da proteína GSK-3β na membrana e no citoplasma de plaquetas de pacientes bipolares e de portadores de depressão maior (DM), antes e após 8 semanas de tratamento (com estabilizadores de humor e antidepressivos, respectivamente), e compararam com pessoas não portadoras de transtorno mental (controles). Eles observaram que a expressão protéica de GSK-3β, antes do tratamento, era significativamente menor nas plaquetas de pacientes portadores de TAB que pacientes portadores de DM ou controles. O tratamento com estabilizadores do humor aumentou significativamente a expressão da proteína GSK-3β nas plaquetas de pacientes portadores de TAB, atingindo níveis similares àqueles observados nos indivíduos normais. Por outro lado, não houve efeito significativo do tratamento com antidepressivos na expressão protéica de GSK-3β em pacientes portadores de DM.
Os resultados sugerem que a GSK-3β pode desempenhar um papel importante na fisiopatologia do TAB, mas não na da DM, e que sua anormalidade pode ser corrigida pelo tratamento com estabilizadores do humor. E ainda, que a GSK-3β em plaquetas pode ser um marcador biológico de estado para TAB, mas não para DM.
Sinopse preparada por: Rodolfo B Ladeira
Fonte: Pandey GN et al. Glycogen synthase kinase-3β in the platelets of patients with mood disorders: Effect of treatment. Journal of Psychiatric Research (2009), doi:10.1016/j.jpsychires.2009.07.009