Novas evidências sustentam os possíveis benefícios da Ginkgo biloba para a doença de Alzheimer

Estudos recentes da equipe do Dr. Yuan Luo da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, sustentam os possíveis benefícios da Ginkgo biloba para a doença de Alzheimer. A perda de sinapses (“contato” entre neurônios) e a subsequente perda de neurônios têm sido associadas com demência (perda ou diminuição da capacidade cognitiva, principalmente da memória) na doença de Alzheimer. Estudos anteriores haviam demonstrado que o extrato de Ginkgo biloba EGb761 apresenta efeitos benéficos sobre o prejuízo cognitivo em pacientes com doença de Alzheimer e camundongos com sintomas semelhantes aos dessa doença, e protege neurônios contra a toxicidade da proteína beta-amilóide, relacionada à perda neuronal na doença de Alzheimer. Diante desses benefícios da Ginkgo biloba, Tchantchou e colegas (2007), da equipe do Dr. Luo, examinaram o potencial do EGb761 na estimulação da neurogênese (nascimento de novos neurônios) em camundongos geneticamente modificados para produzir níveis cerebrais mais elevados de beta-amilóide e morte neuronal, características da doença de Alzheimer. O estudo se baseou em achados bem aceitos na literatura de que ocorre neurogênese no cérebro adulto. Na verdade, a evidência de neurogênese no cérebro adulto tem levado muitos neurocientistas a acreditar que ela poderia ser um alvo terapêutico na prevenção e tratamento da doença de Alzheimer. O estudo, feito com 32 animais, mostrou que a administração do EGb761 a camundongos tanto jovens quanto velhos com características da doença de Alzheimer aumentou a neurogênese no hipocampo, uma estrutura cerebral crucial para a memória. Em outro estudo, feito em culturas de células progenitoras do hipocampo de ratos, Tchantchou e colegas (2009) demonstraram que alguns constituintes do EGb761 aumentaram não somente a proliferação de neurônios mas também a sinaptogênese (formação de novas sinapses) dos novos neurônios, indicando a habilidade das novas células para se integrar na circuitaria neuronal. Os pesquisadores acreditam que a estimulação da neurogênese e sinaptogênese por EGb761 pode contribuir para seus possíveis benefícios em pacientes com doença de Alzheimer. No entanto, diante de um estudo recente mostrando que o EGb761 foi insuficiente na prevenção de demência em sujeitos acima de 75 anos, embora os próprios autores desse estudo ressaltaram que “a prevenção teria que começar muito mais cedo do que a idade de 75”, Tchantchou e colegas salientam que o EGb761 ainda precisa de investigação futura. 

Comentário feito por: Evelin Lisete Schaeffer, Ph.D.

Fonte: Tchantchou F, Xu Y, Wu Y, Christen Y, Luo Y. EGb 761 enhances adult hippocampal neurogenesis and phosphorylation of CREB in transgenic mouse model of Alzheimer’s disease. FASEB J. 2007 Aug;21(10):2400-8.

Fonte: Tchantchou F, Lacor PN, Cao Z, Lao L, Hou Y, Cui C, et al. Stimulation of Neurogenesis and Synaptogenesis by Bilobalide and Quercetin via Common Final Pathway in Hippocampal Neurons. J Alzheimers Dis. 2009 Aug.